Sempre tive uma predileção por atender crianças. Minha supervisora afirma que este "gosto" não é por acaso... Realmente, se vasculhar a minha história vejo muitas crianças nela. Quando eu tinha meus 10 anos de idade, brincava e cuidava das crianças mais novas do meu condomínio. Com 12 anos fui presenteado com meu primeiro afilhado e daí em diante não faltaram apadrinhamentos aos novos "serezinhos" que chegavam a este mundo.
A infância me encanta. Tanta coisa a descobrir, tanta fantasia, tantas coisas desconhecidas. Uma pureza só, uma imaginação enorme, o que permite ao pequeno infans uma viagem ao fantástico mundo criado por ele mesmo... (Parafraseando o autor do desenho "fantástico mundo de Bob"). Por vezes me recordo de grandes viagens que fiz, quantas coisas inventei e imaginei. Percebo que a introjeção da cultura foi rígida comigo... Quantos cortes recebi, todos eles necessários à minha vida e à minha essência atual. Me orgulho deles, não que todos tenham sido agradáveis, mas me fizeram ser quem eu sou. Pretendo participar de muitos cortes nessa minha caminhada clínica a qual me dedico e tenho participado com as crianças. Dizer que trabalhar com elas é mais fácil é um ledo engano... Elas vêm de mãos com seus pais, e estes estão sempre carregados de coisas muito deles, muito arraigadas, muito sociais, culturais, religiosas, fantasiásticas... As crianças tem uma pureza sim, mas não são ilesas do fantástico mundo dos adultos, e é disso que iremos tratar!